segunda-feira, 3 de novembro de 2014

Insustentabilidade do ser

"E essa é a minha virtude: não me enganar a mim, nem enganar ao senhor. Porque não vale a pena, o senhor não merece uma mentira".
Onze Minutos, Paulo Coelho

Esta é também a minha virtude. Não tanto porque os outros não mereçam o trabalho de inventar-lhes desculpas, mas porque dizer a verdade é uma libertação e, de certo modo, uma ousadia. Permaneço fiel a mim própria, mesmo que todos se afastem de mim. Porque, no fundo, eu tenho de fazê-lo para me sentir viva, para que não sinta que me defraudei. Mas a grande questão coloca-se: Será que são os outros merecedores desta transparência? Quem, no meu círculo de amigos, me dirá sempre o que pensa? Quem conhecerei de facto? E, no meio desta meia dúzia de frases, vejo como a complexidade destes pensamentos me impede de sentir-me como mais uma no meio da multidão. Deve ser por isso que me sinto sempre tão só... e tão profundamente magoada.

sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

Pantera Negra

Consensual. Único. Humilde. O rei. Estas são algumas palavras que definem o homem e o mito, cujo nome atravessou gerações, não só pelos feitos futebolísticos, mas pela forma como esteve presente toda a vida no seu clube do coração e na Seleção Nacional. Um verdadeiro embaixador do futebol, do fair-play e de Portugal.  E o rei faleceu precisamente um mês depois de Nelson Mandela e foi sepultado em dia de Reis. 
Juntamente com Amália, é reconhecido mundialmente como um dos ícones de Portugal. A sua vida foi marcada pela pobreza do bairro da Mafalala, depois pelo reconhecimento alcançado como jogador do Benfica e da Seleção das Quinas. Vieram depois as lesões, as múltiplas lesões, a abnegação, o ultrapassar da dor ao serviço do seu clube. O afastamento e o esquecimento. Eusébio, depois do Benfica, jogou num clube da segunda divisão, jogou no Canadá e nos Estados Unidos. Esteve afastado do mundo do futebol português, até alguém  ter feito ressurgir, qual Fénix renascida, a figura do mítico jogador para o primeiro plano. Apesar dessa fase negra, Eusébio foi ainda acarinhado e reconhecido até ao fim da sua vida, o que não é comum em Portugal.
Os reis não morrem nunca. Portugal soube reconhecer o seu rei. As múltiplas homenagens espontâneas prestadas no cortejo fúnebre, junto à estátua, a cobertura dada internacionalmente, são provas inequívocas do carinho, do valor que cada português dava ao seu ídolo. E é bonito de ver esta espontaneidade, esta convergência de afetos em relação a Eusébio.
Depois também há o espaço para a polémica. As declarações oportunistas e inoportunas. A questão dos custos da transladação para o Panteão Nacional.  O aproveitamento político e social da morte de um homem.
 
Mas tudo isto será esquecido um dia. A glória, o carisma, a força deste homem são imortais. Há pessoas que nunca serão esquecidas, por mais que passem os anos. O tamanho que têm é incomensurável. Fazem parte da história, são um bocadinho de nós, e por isso jamais desaparecerão.  Até sempre, Eusébio.

sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

Em 2013...


Passei a passagem de ano na minha casa, rodeada pela minha família, coisa que já não fazia há muito tempo. Assisti à queda do primeiro dente de leite da minha filha. Preparei com emoção a vinda da Fada dos Dentes. Emocionei-me ao ler a avaliação da pré, onde se destacava que havia traços do carácter da minha filha que muitos adultos não possuíam. Continuei a zumbar e a gostar cada vez mais das aulas, tornando-me assídua no ginásio. Fortaleci amizades. Dececionei-me um bocadinho com uma das pessoas que considerava uma das minhas melhores amigas. Levei amores de Azeitão para os colegas de turma da pequenota. Participei em caminhadas diversas e em algumas provas de atletismo (na caminhada). Fui a mais manifestações do que tinha memória. Fui convidada para ser madrinha da minha turma de 12º. Fiz duas escapadinhas. Assisti à tosquia de uma ovelha pela primeira vez. Participei na primeira Color Run em Lisboa e adorei cada momento. Comprei uma máquina fotográfica melhor. Fiz uma mini horta. Assinei a primeira fita da minha filha. Dancei zumba com uma grande amiga, várias vezes. O cancro atingiu uma das minhas amigas e levou uma das minhas colegas. Conheci o Buddha Éden e voltei ao Mercado Medieval de Óbidos e à Kidzania. Lisboa foi o destino de dois passeios maravilhosos que demos com olhos de turista. Andei no mítico 28, pela primeira vez. Encomendei os primeiros livros escolares da minha formiguinha. Passei uma semana de férias fabulosa no Algarve. Fui ao Festival do Marisco e assisti a um concerto dos Xutos. Toquei numa raia, num dragão barbudo e num monitor da savana. Voltei ao Zoo. Fui a uma zumba party. Passei a frequentar a catequese de pais, para apoiar a catequese da filhota. Fui novamente convidada para ser madrinha da minha turma de 12º. Fizemos uma mini sessão fotográfica. Regressámos à Feira da Golegã. Ganhei diversos prémios em passatempos que participei. Chorei de emoção ao ver-te ser atriz principal numa peça de teatro. Perdi peso e voltei a ter um IMC considerado normal.

terça-feira, 8 de janeiro de 2013

E em 2013

vamos regressar a este cantinho. Ano novo, novos objetivos, maiores desafios. Ate ja!! :)

quarta-feira, 30 de maio de 2012

Kiko

Esta semana entrei com uma amiga na Kiko. Eu já sabia da existência desta marca italiana e sabia que tinha produtos muito em conta, mas nunca pensei na variedade, nas múltiplas cores e nas embalagens atrativas que ia encontrar.
Depois de muita hesitação, já que a vontade era trazer uma embalagem de cada, vieram para casa comigo:

O verniz é um vermelho rosado, uma cor discreta, mas já veraneia. A peeling mask é uma máscara esfoliante renovadora, com um perfume delicioso. Ainda não experimentei nenhum dos produtos, mas fiquei fã e vou voltar para comprar mais umas corzinhas de vernizes (pelo menos...) ;)

quinta-feira, 5 de abril de 2012

Livro

Adoro ler. Por esse motivo, é-me difícil selecionar apenas um livro que me tenha marcado, porque recordo-me de vários:


- qualquer um do Eça de Queirós, pela forma como escreve, pela qualidade da intriga e, sobretudo, pela atualidade constante dos seus escritos;


- Monte Cinco, do Paulo Coelho, pela mensagem maravilhosa que transmite;


- Sintonia do Amor de Nicholas Sparks, pelo final surpreendente e tão tocante.

sexta-feira, 16 de março de 2012

Desafio

Este desafio anda na blogosfera e decidi aderir também:
1. Livro
2. Mãe/Pai
3. Local
4. Amuleto
5. Foto
6. Sabor
7. Estação do ano
8. Amor
9. Mania/Superstição
10. Parte do dia ( manhã, tarde, noite)
11. Sobremesa
12. Cidade
13. Cheiro/Perfume
14. Calçado
15. Local de férias
16. Filme
17. Frase/Poema
18. Feriado
19. Série
20. Objecto
21. Maquilhagem
22. Lingerie
23. Solidão
24. Data
25. Medo
26. Comida
27. Sonho
28. Pessoa
29. Look
30. Sedução
31. Saudade

Frase-chave do meu momento presente

«Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas, que já tem a forma do nosso corpo, e esquecer os nossos caminhos, que nos levam sempre aos mesmos lugares. É o tempo da travessia: e, se não ousarmos fazê-la, teremos ficado, para sempre, à margem de nós mesmos.»

Frase atribuída a Fernando Pessoa

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Dos filhos preferidos

Sobre o tema, tenho lido muitos comentários, sobretudo respeitantes ao artigo que veio na Visão há umas semanas atrás. Uns que assumem que, de facto, têm um filho preferido (!) ou que foram ou não filhos preferidos de alguém no passado; outros, revoltados, mostram-se absolutamente chocados com o facto de um pai poder amar mais um filho do que outro.
Quando eu era pequenina, achava que a minha mãe preferia a minha irmã mais nova. E isto apesar de os afetos serem os mesmos, os mimos e as oportunidades serem idênticos. Hoje percebo por que razão eu era mais ralhada e era quem apanhava mais: porque fui a criança/adolescente mais rebelde e mais desafiadora.
Hoje sou mãe de apenas uma filha. Não poderia gostar mais dela do que gosto. A forma como a amo é certamente a forma mais forte de se gostar de alguém. É tão profundo este sentimento, tão visceral, tão inexplicável... E se eu tivesse outro filho? Amá-lo-ia menos? Esquecer-me-ia deste amor que agora nutro e substitui-lo-ia pelo amor de outro ser pequenino? De certeza que não. Por isso creio que nunca teria um filho preferido. Com certeza não nego que poderia sentir um ou outro ponto em comum com um ou outro, mas preferir, gostar mais, privilegiar, acho que não. No fundo é como tudo na vida. Tal como eu não consigo decidir se gosto mais da minha mãe ou do meu pai. Há inúmeras coisas que gosto neles, outras que nem por isso (porque todos temos o nosso lado lunar), mas nunca poderia escolher um deles, se essa imposição me fosse feita. Continuo a crer naquela velha permissa que afirma que o nosso coração é elástico e que nele cabe muita gente... Pode ter prateleiras reservadas para pais, para filhos, para amigos, mas quem lá reside está em pé de igualdade.

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Poupança,marcas brancas e amaciador



(imagem retirada da net)



Se há palavra que simboliza este novo ano cá em casa é «poupança». Se os cortes previstos nos subsídios se multiplicam aqui por dois, é necessário fazer alguns reajustes e pensar duas vezes na altura de gastar dinheiro no hipermercado.

Uma das formas de poupar alguns euros em cada ida às compras é apostar nas marcas brancas, algumas das quais tão boas ou melhores do que as marcas convencionais. Uma das compras acertadas que descobri há pouco tempo foi o amaciador de roupa do Pingo Doce, o Ultra Pro Lavanda e Camomila. Já tinha experimentado várias marcas, mas nunca ficava realmente satisfeita com os resultados, porque, depois de seca, a roupa ficava sem aquele cheirinho agradável. Esta marca alia a maciez com que os tecidos ficam, a um cheiro suave, perfumado, a lavado. E o preço é muito económico (cerca de dois euros e pouco), pois o amaciador é concentrado e dá para muitas dezenas de lavagens. Nota-se a diferença logo ao tirar a roupa da máquina. Magnífico! Aqui fica a dica, para quem não conhece.
E vocês? Que produtos brancos recomendam?

domingo, 1 de janeiro de 2012

Balanço de 2011

Há um ano, mais coisa menos coisa, eram estes os desejos que me propunha a lutar para o ano de 2011. Vejamos o que foi cumprido ou não...

- recuperar o peso anterior à gravidez; (no comments, please!Neste momento pareço-me com a vaquinha do presépio em dias de abundança... if you know what I mean...)
- aproveitar melhor o meu tempo, controlando mais o que gasto em frente ao computador; - passei demasiadas horas no FB, mas este último mês de dezembro afastei-me praticamente
- continuar a bloggar; FEITO
- investir numa alimentação mais cuidada e equilibrada;(ler comentário 1...)
- fazer exercício físico; (cof, cof)
- experimentar as vantagens da depilação definitiva;Não cheguei a experimentar...
- cuidar mais e melhor de mim; Sem comentários...
- ir ao teatro mais frequentemente; Não fui uma única vez.
- fazer um total makeover no meu quarto; FEITO
- investir mais nas amizades profundas que tenho, que, em virtude do bulício do dia-a-dia, são muitas das vezes descuradas; -melhorei ligeiramente, mas ainda há um caminho muito longo a percorrer...
- apostar "no que ainda não foi feito"; em realização
- resolver questão pendente com a editora dos meus livros; Não fiz
- conhecer mais uma capital europeia; Não fiz e agora, com os cortes da Troika, não me parece mesmo exequível...
- ler mais; Melhorou
- fazer escapadinhas românticas, pelo menos, de três em três meses (4 x no ano); Fiz duas, mas ainda com a pequenota...
- ir a um spa; Nop
- aprender uma língua nova (espanhol ou italiano);Nop
- ter mais um filho; Nop
- fazer madeixas louras no cabelo;FEITO
- combinar jantarada só de amigas no dia dos meus 40 anos e dançar toda a noite; Não fiz

Dá para notar que tenho sido persistente na busca dos meus objetivos? Em 2012 mantenho as mesmas metas... não faz sentido mudar se houve tanto que (ainda) não realizei!

sábado, 17 de setembro de 2011

Poupança e ementa semanal

Planear refeições para toda a semana é uma forma inteligente de poupar em duas coisas importantes: gasolina/gasóleo e tempo, tão precioso nas nossas vidas ocupadas. De resto, se o fizermos num dia do fim de semana, não é assim tão difícil. Ora vejamos:
- Antes de mais, convém alternar entre refeições de carne e peixe. Atenção redobrada para quem tem filhos na escola, para que a criança não repita ingredientes nas refeições principais. A nossa ementa deverá ser suficientemente maleável, caso se detecte alguma repetição no cardápio;
- Atenção às datas de validade/conservação dos produtos. Opte por selecionar ementas com os ingredientes que já dispõe em casa;
- Faça listas de alimentos que possui na despensa, congelador e frigorífico. Assim as compras tornam-se facilitadas, porque sabe exatamente o que tem ou não em casa e o que precisa comprar.
- Diversifique. Escolha produtos diferentes nas ementas. Privilegie os alimentos sazonais. Arrisque e procure fazer coisas novas, de vez em quando.
Agora que começou o ano letivo, vou procurar estar mais atenta à gestão do meu tempo. Vou tentar disciplinar-me e ser mais organizada, porque há muita coisa que fica por fazer por não gerir adequadamente o meu tempo.
Esta semana, a ementa será a seguinte (jantares):

2ª - Sopa. Peixe-espada grelhado, batata cozida e salada (rúcula, alface, tomate cherry e milho). Manga.
3ª - Sopa. Frango cozido e passado à frigideira, arroz branco e grelhos salteados. Maçã.
4ª - Sopa. Lulas à moda da D. Amélia com batatas a murro e bróculos cozidos.Pêra.
5ª - Sopa. Bifes de perú com fusilli e legumes estufados.Melão.
6ª - Sopa. Tranches de pescada com broa, batata e esparregado. Diospiro.

quarta-feira, 16 de março de 2011

Scott Parazynski - lições de vida


Quando a Embaixada dos Estados Unidos nos dirigiu o convite para estarmos presentes na sessão «À conversa com o astronauta Scott Parazynski», eu apenas supus que se tratava de mais uma palestra e mais uma visita de estudo.
Ao entrarmos no auditório do Pavilhão do Conhecimento, constatei que o astronauta era muito mais jovem do que eu estava à espera. E com as suas primeiras palavras, percebi que a sessão iria ser muito mais enriquecedora do que eu julgava a priori. A voz é pausada, suficientemente perceptível, num inglês cuidado e bem articulado. A presença de Scott é magnética, carismática. A simpatia, a humildade, o sentido de humor completamente desarmantes.
A sessão foi acompanhada pela projecção de fotos da sua vida. E contou-nos como tudo tinha começado num sonho de um rapazinho que ousou querer ser astronauta. Explicou-nos pormenorizadamente as suas missões no espaço, relatou-nos pormenores sobre a vida a bordo, sobre as emoções, sobre o ver a terra do espaço.
Em seguida, descreveu-nos a sua subida à montanha mais alta do Evereste. Scott foi o primeiro astronauta a fazê-lo. Descreveu-nos as condições terríveis, os perigos, a absoluta necessidade do outro. Confidenciou-nos que é mais perigosa e assustadora uma subida à montanha mais alta do mundo, do que estar em missão no espaço. Falou-nos do valor, da importância sem preço da equipa. E referiu-se simultaneamnete à sua equipa no espaço, composta pelos mais reconhecidos astronautas do mundo, e à equipa que o acompanhou na façanha do Evereste, constituída quer por montanhistas, quer pelos simples carregadores. Revelou que continua a sonhar, desta feita como médico, porque está envolvido em importantes pesquisas sobre o cancro e a forma de curar doenças.
De súbito, fiquei absorvida e encantada com o magnetismo deste homem. Como pode alguém tão importante ser tão terra-à-terra e tão humilde? Estive perante um homem que já esteve onde poucos humanos estiveram, que é simpático, nada arrogante, que nos conta dos seus sonhos como quem relata uma qualquer história que lhe aconteceu. Uma profunda admiração cresceu dentro do meu peito. É nestes momentos da vida que me sinto minúscula, que me sinto esmagada pela cultura, pela sabedoria de alguém. Lições de vida. E esta sensação faz-me sentir a necessidade de me ultrapassar, de conhecer mais, de me tornar melhor. De vez em quando, muito menos do que eu gostaria, sinto que alguém abala profundamente a minha vida rotineira, e me faz desejar mais. Porque há muitos homens, há alguns homens que sonham e há aqueles que sonham com o (im)possível, concretizam os seus desejos e continuam a ser audazes o suficiente para continuar a fazê-lo, uma, duas, muitas vezes. Porque nada é impossível e porque, realmente, o sonho comanda a vida. E se Scott Parazynski conseguiu, é porque não cruzou os braços e ficou sentado à espera que a vida acontecesse.

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

À Pipoquinha, a todas quantas calam e sofrem em silêncio, fica aqui um post que já esteve publicado e que estava guardado no arquivo, em rascunho. Porque é posssível voltar a sorrir de novo! :))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Num quarto de hotel ao pé de nós

Aconteceu um assassinato horrível de uma pessoa, conhecida por sinal. Podia ser um anónimo, mas não era e isso também não faz diferença alguma. O que faz diferença e que a mim me toca profundamente, para além do tirar a vida de mais um ser humano, é isso ocorrer com pessoas que, alegadamente, se conheciam intimamente. E este caso trouxe-me à memória o crime horrendo de Fortaleza, em que um amigo mandou matar outros seis amigos, movido apenas pelo interesse material.
Assusta-me este mundo em que vivemos. Causa-me espanto, perplexidade e medo perceber que num clique tudo pode mudar e que por mais que conheçamos o outro, podemos nunca lhe adivinhar as ideias, a traição, a maldade. Não há aí casamentos sem amor que escondem a violência conjugal por detrás?-.. mães que matam os filhos... filhos que batem nos pais... amigos que traem, que vendem, que matam?...
Depois vêm as anedotas, a piadola fácil sobre o tema... como se o que estivesse em questão fosse mais a preferência sexual do falecido do que a gravidade do assassinato. Que mudou irremediavelmente a vida de duas pessoas e das suas respectivas famílias e grupos de amigos. Quem privou de perto e nunca suspeitou o desenlace fatal... Os pais que criaram um filho, um menino bonito, com estudos, com tudo para ser feliz...
Disto tudo fica a certeza que nunca conhecemos verdadeiramente o outro e, se calhar, nem a nós próprios. E o medo desse desconhecido, desse(s) mundo(s) encobertos que tentamos em vão procurar nas pessoas que nos rodeiam...

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

A estranha leveza da amizade

Estranhas as amizades hoje em dia...
Tenho vindo a descobrir que as amizades, pelo menos na minha vida, tem um novo significado com o passar dos anos. Quando era criança, amigos eram os filhos dos amigos dos meus pais. Entramos depois para a escola e temos a liberdade de escolher os nossos próprios amigos.Porém, normalmente, estes duram o tempo de um ano lectivo, porque não havia recursos na altura para que a amizade fosse perpetuada. A distância matava as emoções e fazia com que nos fossemos desligando.
Lembro-me que, com doze anos, tive a minha primeira grande amiga. Passou a ser das pessoas mais importantes para mim, era com ela que partilhava a minha vida toda, a quem pedia conselhos, parecia ser à face da Terra a única que verdadeiramente me compreendia. Durante toda a adolescência, ela esteve presente. Afastámo-nos um pouco por volta dos 18/20 anos, para depois continuarmos a ser grandes amigas. Até ao dia em que eu casei e ela não apareceu. Sem justificações lógicas e com uma explicação que vim a comprovar ser mentira. Curiosamente, deu a mesma desculpa ao seu melhor amigo, que fora o meu primeiro namorado. E como mais depressa se apanha um mentiroso... desliguei-me aos poucos, pela distância, pela desilusão, pelo bulício do dia-a-dia.
Desde aí mantenho amizades que duram há vinte anos. Mesmo que só nos vejamos três ou quatro vezes por ano, sabemos que aquelas pessoas estão ali. É certo que o facto de estarmos longe, de estarmos casadas, de termos filhos com idades diferentes também não é um factor de maior aproximação. Mas sinto saudades do tempo em que as amigas partilhavam mais o dia-a-dia.
E depois vêm as amigas que vão aparecendo do nada na nossa vida. Pessoas com quem antipatizámos ao primeiro contacto e que descobrimos depois na adversidade. Com quem descobrimos todas as vezes que estamos juntas que temos mais e mais pontos em comum. Que sabemos que são daquelas amigas que estão para o bom e, sobretudo, para o mau. Que riem connosco, que pensam em nós, que nos dão colo e a mão quando caímos.
Depois há as amigas que aparecem e desaparecem, como se nada fosse. Que nos convidam para os aniversários dos filhos e que desaparecem o resto do ano. Que nos usam quando precisam e depois se esquecem de retribuir. Que só têm silêncio para oferecer. E que se admiram depois de não terem amizades verdadeiras para contar...
E ainda há, para gáudio da minha vida, aquelas que conhecemos da forma mais improvável, com quem nos sentimos nós próprias, com quem começámos por partilhar coisas pequeninas e depois progressivamente maiores. Aquelas que nos surpreendem com um telefonema, um sms, uma mensagem no FB... e quando reparamos já fazem parte da nossa vida, porque nos conquistaram.
É verdade o que diz a raposa d' O Principezinho: para que eu seja teu amigo, tu terás primeiro de me cativar. E aí sim, eu aprenderei a distinguir o ruído dos teus passos de todos os outros... qualquer coisa assim.
Acho que hoje em dia as pessoas se esqueceram de cativar. Usam mais do que devolvem, querem mais do que dão. Engraçado como tenho tantas amigas que lancham na minha casa, mas que nunca me convidaram para um lanche na delas. Engraçado como, na maioria das vezes, acabo por mandar mais sms e telefonar mais do que receber telefonemas. Bom saber que vou a tantos e tantos funerais e que quando o luto me tocou a mim, não tive ninguém do meu lado.
Bater com a cabeça, faz com que criemos resistências maiores, mas também que acabemos por nos resguardar mais. Com que nos desiludamos e nos perguntemos mil vezes por que motivo é que nos acontecem sempre estas coisas...
Não será possível manter as amizades e fazê-las crescer ao longo da nossa vida? Sem hipocrisias, sem "caganças", só com o coração puro e vontade de ajudar/apoiar o outro, dando e retribuindo, partilhando e comunicando? É este século o mais solitário de todos? Tantos recursos para falarmos, tanta tecnologia, mas tanta solidão... Para que servem os amigos das redes sociais, se eles não estão nem partilham da nossa vida? Às vezes, a história do coveiro da reportagem da Sic que tinha centenas de amigos, mas que não tinha ninguém na sua vida, faz acreditar que há muitas mais situações idênticas no país e no mundo. E que permanecemos iludidos muito mais do que queremos admitir...

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Desejos para o novo ano

Mais um ano que passa, deixando para trás, apesar de tudo, a memória de coisas boas e o fel das coisas más. Mais um ano de crescimento, mais um ano de projecto adiados... Foi um ano bom, este. Adorei as nossas férias de verão, fortaleci algumas amizades embrionárias, vi a minha filha tornar-se uma menina, em vez da bebé cor-de-rosa e rechonchuda. Aprendi coisas novas, mas há ainda tanto que fazer... pode ser que este seja o ano da verdadeira mudança, ou, pelo menos, do limar de arestas, do polir cantos e recantos da vivência quotidiana.
Ano novo, vida nova... se é atribuído ao número um uma simbologia de iniciação, eu vejo neste novo ano que está prestes a emergir uma nova oportunidade para melhorar, para aproveitar cada momento, para ser mais feliz. Por isso, vou traçar aqui alguns objectivos que pretendo atingir nestes 365 dias que se aproximam:

- recuperar o peso anterior à gravidez;
- aproveitar melhor o meu tempo, controlando mais o que gasto em frente ao computador;
- continuar a bloggar;
- investir numa alimentação mais cuidada e equilibrada;
- fazer exercício físico;
- experimentar as vantagens da depilação definitiva;
- cuidar mais e melhor de mim;
- ir ao teatro mais frequentemente;
- fazer um total makeover no meu quarto;
- investir mais nas amizades profundas que tenho, que, em virtude do bulício do dia-a-dia, são muitas das vezes descuradas;
- apostar "no que ainda não foi feito";
- resolver questão pendente com a editora dos meus livros;
- conhecer mais uma capital europeia;
- ler mais;
- fazer escapadinhas românticas, pelo menos, de três em três meses (4 x no ano);
- ir a um spa;
- aprender uma língua nova (espanhol ou italiano);
- ter mais um filho;
- fazer madeixas louras no cabelo;
- combinar jantarada só de amigas no dia dos meus 40 anos e dançar toda a noite;
20 desejos, 20 projectos a que me vou entregar de "alma e coração" no próximo ano.
Daqui a 12 meses, espero estar a redigir um post em que os tenha cumprido a todos...

domingo, 4 de julho de 2010

Loucura

Se tu soubesses

Que a sombra do que eu sou

tem mergulhada o sonho e a ilusão;

Se tu visses o meu coração

ferido, cicatrizado, ensanguentado

pela tua insensatez e mentira;

Se tu conhecesses

a dor, o desalento, o desespero

que me deixaste em vez do amor;

Saberias que tudo o que fazes é pouco

para mitigar a sede de amor

e a fome de compreensão que tenho no peito.

Porque perceberias que nunca mais apagarei

A dor que deixaste, o frio intenso,

os sonhos inacabados e o silêncio,

a incompreensão, a dúvida, a mentira

a falsidade, a injustiça, a ira.

quarta-feira, 26 de maio de 2010

Para quem merece

Ontem, deambulava eu pelos blogues, como é habitual à hora de almoço, quando li uma frase num deles que resume aquilo em que eu acredito, mas, paradoxalmente, nunca faço. A frase era: «não tratemos como prioridade, quem nos trata como opção».

A frase passou todo o dia a matraquear na minha cabeça. Na minha vida tenho sido vezes demais a opção de muita gente, referindo-me a amizades, claro está. Pessoas de quem eu gosto bastante, que me tratam como segunda escolha ou opção, ou que se lembram de mim, em penúltima instância.

Com o amadurecimento, percebo que, cada vez menos, posso confiar nas pessoas com quem senti uma forte empatia inicial. E, se quando era adolescente, só firmava amizades com pessoas de quem tinha "gostado" da cara (costumava dizer que quando olhava para alguém sabia logo se gostava ou não), cada vez mais percebo que há pessoas com quem sentimos empatia e que se tornam valiosas amigas, há aquelas com quem a coisa funciona bem, durante uns tempos, e, por fim, há os que nos surpreendem e cuja amizade vai-se desenvolvendo com a descoberta de personalidades e de pontos de referência. Estes são os que acabam por ficar mais tempo nas nossas vidas.

Fico triste por perceber que hoje em dia é difícil fazer amigos. Cada um tem a sua vida e parece que as pessoas se esquecem do outro, que se recusam a partilhar, a conviver. Custa-me que não haja convites para estar junto. Se eu quero almoçar com amigos, convido-os para cá virem a casa, mas não há depois um retorno, nada. Hoje em dia há muito egoísmo e ingratidão. Já poucas pessoas fazem coisas pelos outros por amizade, por desinteresse. E parece-me que sou sempre eu a enganada, a desiludida, a que nunca aprende.

Ontem, aquela frase fez todo o sentido. E, pela primeira vez, recusei o irrecusável, fui firme e coloquei-me como a minha prioridade número um.

Tenho uma amiga recente com quem partilho muita coisa. Trabalhamos juntas e somos amigas há cerca de dois anos e meio. Ela sabe imensa coisa sobre mim, inclusivamente, segredos incontáveis. Nunca fomos a casa uma da outra e a nossa amizade subsiste pelo contacto diário e por telefonemas e inúmeras mensagens nas férias. A amiga teve bebé, um bocadinho antes de tempo. Precisamente num fim-de-semana em que eu cá não estava. Como não a pude visitar na maternidade, como tínhamos combinado (ela sabia que a minha escapadinha estava marcada há meses), fiquei de ir lá a casa. Que eu não sei onde fica. Entretanto, como o bebé dá noites más, a visita ficou adiada, «até ele ter um mês». Pois já tem. Quando tínhamos uma data aprazada, a amiga disse que teria de adiar, porque a empregada estava lá em casa nesse dia. A semana passada voltámos a combinar que seria esta quarta-feira. Telefonei-lhe na semana anterior, para ultimar pormenores. Ela não atendeu. Mandou mensagem a dizer que ligava na sexta. Não ligou, nem no fim-de-semana, nem na segunda. E ontem, minutos depois de ler a dita frase, mandou-me uma mensagem a perguntar se sempre ia visitá-la no dia seguinte. Fiquei furiosa: além de ser incapaz de cumprir o que prometeu, veio com uma desculpa que não tinha ligado, por que lhe dava mais jeito falar ao telefone só de manhã, por causa de o bebé poder acordar durante a sesta, ao ouvir a voz dela. (os sms não fazem barulho, pois não?).

Fiquei mesmo chateada. Não gosto que se comprometam comigo e que não cumpram. E começou a fazer-me parecer que a única interessada no encontro estava a ser eu. Mandei então um sms de resposta, dizendo que não estava a contar ir visitá-la. Que tinha essa vontade e essa intenção, mas que, perante a ausência de resposta da parte dela, até aquele momento, tinha pensado que ela já teria outros planos. Que combinaríamos outro dia, quando lhe fosse mais oportuno.

Então, desculpem lá, eu vou sair a correr do trabalho, calcorrear quilómetros, andar à procura em plena cidade de um sítio que eu nem conheço, só para ir a casa de quem parece que não me quer receber? Andei eu a fazer peditórios na escola, para comprarmos uma prendinha para a criança (a minha já está comprada há tanto tempo que daqui a pouco não vai servir...), ando eu a telefonar, a combinar, para ficar sem resposta durante uma semana? Vou eu abrir mão de uma tarde que posso aproveitar para adiantar trabalho, para isto?

Não obstante, fiquei cheia de remorsos. Eu gosto desta amiga. E não entendo porque é que as coisas me acontecem sempre a mim. Se não lhe apetece que eu lá vá, porque sugere uma visita? Se não está com vontade de ver ninguém, por que é que não diz? Eu própria a coloquei à vontade nesse sentido. Para que é isto? Este tipo de atitudes só me fazem ficar aborrecida e constatar que eu desperdiço muito do meu tempo com pessoas que não sabem dar valor. Eu não sou de guardar rancores, mas fiquei triste, pronto. Vai passar-me, vou lá ver o bebé e vou voltar a cair no mesmo erro, vezes e vezes, sem conta.

Mas hoje fiquei por aqui. Pelo menos hoje, eu só estou para quem merece!

Regresso

Praticamente um ano depois do meu último post, apeteceu-me regressar. Houve muita coisa que mudou, há, por esse motivo, muita coisa a alterar aqui. Apenas a vontade de escrever permanece.

Este blogue vai retomar a programação, dentro de momentos!